7 de maio de 2018

RESENHA: Todo dia

Editora: Galera Record
Autor(a): David Levithan
Número de páginas: 280

Sinopse: Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrarem a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.

Olá gente lindaaa!
Hoje vim falar do livro "Todo dia", que recebi da editora Galera Record em 2013, mas só agora tive tempo / oportunidade / vontade de ler. E confesso que o me fez finalmente decidir ler o famoso livro de Levithan foi o fato de que a adaptação cinematográfica estréia no final de maio.

Acho que a maioria de você já devem conhecer a premissa do livro, e eu também achei que conhecia, mas ainda assim "Todo dia" foi uma grata surpresa.
"A", nosso protagonista, já teve muito tempo para se acostumar com a vida que leva, ou melhor, sobre as muitas vidas que leva. A cada novo dia, ele acorda em um corpo diferente, como um mero hóspede de um corpo aleatório. E tudo o que ele precisa fazer é acessar as memória do corpo hospedeiro e tentar não fazer nada muito diferente do que a pessoa em questão faria. E, tendo se acostumado a isso, ele não questiona mais o motivo de ser assim, não se pergunta mais se é o único no mundo.. até que se apaixona.
"Não sei como isso funciona, nem o porquê. Parei de tentar entender há muito tempo. Nunca vou compreender, não mais do que qualquer pessoa normal entenderá a própria existência. Depois de algum tempo é preciso aceitar o fato de que você simplesmente existe. Não há meio de saber o porquê. Você pode ter algumas teorias, mas nunca haverá uma prova." (página 8)
Certo dia, no dia de número 5994 de sua vida, A acorda no corpo do adolescente de 16 anos, Justin. E é a partir desse dia que ele passa a questionar sua vida, e desejar, talvez, ser diferente. Isso porque A conhece Rhiannon, namorada de seu hospedeiro... e se apaixona.
É importante observar que A, não possuindo um corpos próprio, também não possui um gênero. E ao longo das páginas vamos conhecendo suas experiência ao longo dessa vida tão peculiar, e acabamos descobrindo que, no passado, A já gostou de alguém, de um garoto.

"Sou um andarilho e, por mais solitário que isso possa ser, também é uma tremenda libertação. Nunca vou me definir sob os mesmos critérios das outras pessoas." (página 12)
Acontece que, diferentemente da última vez em que gostou de alguém, dessa vez o sentimento parece ser mais forte, pois após deixar o corpo de Justin, após 24 horas (que é o tempo que ele passa em cada corpo), A continua "sendo atraído" para Rhiannon. E passa a fazer o que sempre evitou fazer: interferir na rotina de seus hospedeiros. Passa a viajar quilômetros só para ver Rhiannon, ora no corpo de uma garota, fingindo-se passar por uma possível aluna nova, ora no corpo de um garoto, em uma festa, fingindo-se passar pelo primo do anfitrião (que está bêbado ou distraído demais para desmentir...).
"Todo dia" é um livro super interessante para pensar no conceito de gênero. Você se apaixona por um gênero ou por uma pessoa? O que importa é a aparência ou a essência?
"Raramente as pessoas são tão atraentes quanto são aos olhos das pessoas que as amam. Imagino que é assim que deva ser. É animador pensar que a ligação que você tem pode definir a percepção tanto quanto qualquer outra influência." (página 34)
Além disso, acompanhando a jornada de nosso protagonista, podemos questionar as noções de passado e de futuro, já que tudo que A possui é o presente. Ele não possui um "amanhã", já que no dia seguinte ele sempre estará em outro corpo, em outra realidade, será "outra pessoa". Tudo o que ele tem é o hoje, e o que ele faz é tentar aproveitar cada um de seus dias (uns mais, outros menos). Outro ponto que achei interessante é a relação de A com o próprio corpo, já que nem sempre ele gosta de seu hospedeiro, estando, por exemplo, no corpo de um viciado em drogas, tendo de controlá-lo a fim de evitar qualquer tragédia (já que ele não sabe o que pode acontecer com sua essência, ou alma, se quiserem, caso seu hospedeiro morra).
"As pessoas não dão valor à continuidade do amor, assim como não dão valor à continuidade do corpo. Não percebem que a melhor coisa sobre o amor é a sua presença constante. Assim que você estabelece isso, sua vida ganha uma base extra. Mas se você não pode ter essa presença constante, só tem uma base para sustentá-lo, sempre." (página 53)
Com o passar das páginas, vamos torcendo para que no dia seguinte A possa encontrar Rhiannon novamente, para que ela possa enxergá-lo para além de um corpo, para que ela reconheça o relacionamento abusivo em que vive, para que ela se liberte e, principalmente, para que A tenha, afinal, um corpo para chamar de seu. Em certo ponto da história, há indícios de que A não seja o único em sua condição, e que possa ser possível permanecer em um corpo por mais tempo. Tudo de que A precisa é de um corpo, um único corpo, para ser constante, para ter algo a oferecer a Rhiannon além de um encontro com uma pessoa diferente a cada dia. Mas, se para ter um corpo ele precisa sacrificar a vida de alguém real, roubar a vida de alguém... será que é a melhor forma? Será que ter um corpo vale a vida de alguém?
"Nunca me apaixonei por um gênero. Apaixonei-me por indivíduos. Sei que é difícil as pessoas fazerem isso, mas não entendo por que é tão complicado, quando é tão óbvio." (página 123)
Confesso que fui completamente surpreendida pelo final. Ainda que o final tenha sido completamente aceitável, razoável e totalmente coerente, ainda assim fiquei surpresa (e tocada). O amor é uma coisa de louco, né?! E aceitar as coisas como são, fatos que não podemos mudar é algo grandioso.
Recomendo a leitura para quem quer term uma visão diferente de noções que conhecemos há tanto tempo e temos como algo natural, algo óbvio. (Re)Pensar algumas coisas construídas socialmente, mas com cara de "naturais" é um exercício que todos deveriam fazer. Muitas desconstruções precisam ser feitas para que passemos a valorizar coisas mais simples e mais vitais, como nossa própria essência, que independe da nossa aparência, da nossa embalagem. O amor, a alma, o interior não tem gênero, cor, peso ou medidas específicos.


Classificação: 

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

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