Editora: Record
Número de páginas: 208
Sinopse: Com uma narrativa madura, precisa e ao mesmo tempo delicada e poética, o romance narra a história do casal Dalva e Venâncio, que tem a vida transformada após uma perda trágica, resultado do ciúme doentio do marido, e de Lucy, a prostituta mais depravada e cobiçada da cidade, que entra no caminho deles, formando um triângulo amoroso.Na orelha do livro, Martha Medeiros escreve: “Tudo é rio é uma obra-prima, e não há exagero no que afirmo. É daqueles livros que, ao ser terminado, dá vontade de começar de novo, no mesmo instante, desta vez para se demorar em cada linha, saborear cada frase, deixar-se abraçar pela poesia da prosa. Na primeira leitura, essa entrega mais lenta é quase impossível, pois a correnteza dos acontecimentos nos leva até a última página sem nos dar chance para respirar. É preciso manter-se à tona ou a gente se afoga.”A metáfora do rio se revela por meio da narrativa que flui – ora intensa, ora mais branda – de forma ininterrupta, mas também por meio do suor, da saliva, do sangue, das lágrimas, do sêmen, e Carla faz isso sem ser apelativa, sem sentimentalismo barato, com a habilidade que só os melhores escritores possuem.
Olá gente lindaaaa!
Domingo também é dia de resenha, né!? Hoje vim falar sobre livro nacional que eu queria ler há tempos e acabei devorando em dois dias. "Tudo é rio" é o livro de estreia da mineira Carla Madeira e me surpreendeu de diversas formas.
A história gira em torno de três personagens, Lucy, Venâncio e Dalva, que poderiam ser simplesmente um triângulo amoroso, mas cuja relação, assim como a constituição de cada um, são explorados de uma forma bastante complexa. Lucy é a prostituta mais cobiçada da Casa de Manu, que por ser puta não apenas na profissão, mas também na essência, é assim chamada ao longo do livro: puta. Venâncio, por sua vez, é um homem descrito como "triste, pesado", que pelo simples fato de não idolatrar Lucy como os demais homens da cidade e clientes dos prostíbulo, acaba se tornando sua maior obsessão. Dalva é esposa de Venâncio, e também um de seus tormentos, não dirigindo a ele o olhar ou a palavra há anos.
"Venâncio foi frequentador da Casa de Manu quando atravessou o deserto de ser sozinho. Um homem triste, pesado, que carregava com ele um tormento sem tamanho." (página 12)



