7 de março de 2018

RESENHA: Não sou uma dessas

Editora: Intrínseca
Autor(a): Lena Dunham
Número de páginas: 304

Sinopse: Lena Dunham , a premiada criadora, produtora e estrela da série Girls, da HBO, apresenta uma coleção de relatos pessoais hilários, sábios e dolorosamente sinceros que a revelam como um dos jovens talentos mais originais da atualidade. Em Não sou uma dessas, Lena conta a história de sua vida e faz um balanço das escolhas e experiências que a conduziram à vida adulta.
Comparada a Salinger e a Woody Allen pelo New York Times como a voz de sua geração, Lena é conhecida pela polêmica que desperta e por sua forma única e excêntrica de se expressar e encarar a vida. Engajada, a autora revela suas opiniões sobre sexo, amor, solidão, carreira, dietas malucas e a luta para se impor num ambiente dominado por homens com o dobro da sua idade.

Olá gente linda!!
Há tempo um livro não me deixava sem palavra do jeito que "Não sou uma dessas" me deixou. E quando digo que estou sem palavras, quero dizer que estou sem palavra por não se tratar de um livro comum. Se eu pudesse definir esse livro com apenas uma palavra seria "estranho", ou até mesmo "incomum".
Quando conheci esse livro, me interessei assim que li a sinopse, mas confesso que tinha expectativas de que fosse parecido com "Os homens explicam tudo para mim" ou "Sejamos todos feministas", que trazem proposta semelhantes: um conjunto de ensaios ou uma fala espetacular sobre o feminismo ou sobre a necessidade de trazer assuntos questões de gênero à tona. No entanto, o livro é bem diferente.
"Não há nada mais corajoso para mim do que uma pessoa anunciar que sua história merece ser contada, sobretudo se essa pessoa é uma mulher." (página 17)
Bem, pra começo de conversa eu nem sabia quem era Lena Dunham antes de ler esse livro, não conheço a carreira dela, nunca assisti "Girls" (estrelada, produzida e dirigida por Dunham), e mesmo estranhando o fato de "Não sou uma dessas" ser uma autobiografia de uma mulher de apenas 30 anos, levei em conta essa citação aí de cima. Acreditei que Lena tinha algo importante para contar...
Mas, logo nas primeiras páginas, fazendo uma relação com o título do livro, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: "Eu não sou uma Lena Dunham!". Com o passar das páginas, em que a autora apresenta fatos, acontecimentos, situações (muitas vezes constrangedoras) de sua vida, em diversos momentos eu fiquei me perguntando onde, afinal, ela queria chegar ou de que modo aquilo agregaria na minha mida (como mulher, como leitora, como pessoa...). E a resposta foi: de modo nenhum. Não me identifiquei com Lena.
Isso ocorreu, porque Lena, apesar de seus problemas com TOC, com autoaceitação, autoestima, autoimagem, etc., resolve lidar com isso de modo incomum (e bastante corajoso, admito), em vez de tentar passar despercebida, ela quer sempre ser o centro das atenções. E o tempo todo ela deixa muito claro esse seu egocentrismo exacerbado. Em meio a diversos relatos sobre as experiências que foram marcantes o suficiente para a autora sentir a necessidade de dividi-las com os leitores, há alguns momentos de pensamento, questionamento e reflexão profundos... mas, claro, quase sempre colocados de modo descontraído, quase como se não fosse nada sério, apenas uma ideia boba que passou pela cabeça.
"Entendi que o feminismo era um conceito valioso muito antes de perceber que eu era uma mulher, ao ouvir minha mãe e suas amigas discutirem os desafios de navegar no mundo das artes dominado pelos homens." (página 61)
O fato de grande parte do livro ter alguma relação com sua vida sexual (e seu dedo podre), e o fato de eu não me identificar em nada com a narradora me fez questionar exatamente isso. Será que o livro não está me agradando e eu estou intimamente criticando todas as escolhas feitas e descritas pela autora, porque eu estou esperando algo do tipo "bela, recatada e do lar"? Vejam bem, eu me autodeclaro feminista, embora admita que ainda estou engatinhando no assunto, mas ainda assim me peguei lendo as experiências de Lena Dunham com um olhar conservador e antiquado... será que "Não sou uma dessas" não é exatamente o tipo de livro para nos mostrar que estamos tão enfiadas em uma sociedade machista que somos feministas apenas quando o comportamento de outras mulheres reflite escolhas que nós mesmas faríamos? 
"Quando alguém revela que você significa muito pouco e você continua com essa pessoa, sem se dar conta, começa a significar menos para si mesma." (página 70)
É aquela velha história, lidamos com as diferenças, desde que não sejam tão diferentes assim, né?! Respeitamos todas as opiniões alheias, desde que sejam iguais ou similares as nossas próprias opiniões.
"Respeito não é algo que você consegue por meio de intimidação e bullying intelectual. É algo que se constrói ao longo de uma vida inteira tratando as pessoas como você deseja ser tratada e se concentrando na sua missão." (página 132) 
Acho que o que mais me incomodou nesse livro foi o fato de que quando eu estava praticamente me forçando a ler, descobrindo coisas sobre Lena que eu não precisava/gostaria de conhecer, eu me deparava com algo extremamente importante que quase passava batido, já que a autora optou por dar mais importância a outros pontos (seu egocentrismo, por exemplo), ou tratar de assunto graves e sérios com menos relevo, como assédio sexual, estupro, pedofilia, etc. Acho que esses tópicos mereciam ser melhor tratados, melhor abordados, não como se fossem apenas situações incomodas como tropeçar em uma pedra no caminho para o trabalho. Vocês me entendem? Isso fez com que eu levasse menos a sério quando ela estava falando de algo importante... 
"[...] a ambição é uma coisa curiosa: ela se infiltra quando menos se espera e lhe faz ir adiante, mesmo que você prefira ficar parada." (página 214)
Por outro lado, em raros momentos eu me identifiquei com algumas passagens, principalmente em se tratando de fechamentos de ciclos, medo de mudanças e esse tipo de coisa, talvez por estar numa fase dessas...
"Poderia ser amanhã. Poderia ser oitenta anos depois de amanhã. Mas ela chegaria para todos nós, e eu não era uma exceção.
Então o que estávamos tentando fingir?
Até que, um dia, não aguentei mais: fui até a cozinha, apoiei a cabeça na mesa e perguntei ao meu pai:
- Como a gente vive dia após dia sabendo que vamos morrer?
[...]
- A gente simplesmente vive." (página 258-259)
"Será que o que se manifesta como medo é, na verdade, um instinto de resistir à juventude? A juventude e tudo que a acompanha: todos os riscos, humilhações, incertezas e pressões para fazer tudo antes que seja tarde demais." (página 263)
***
Enfim, por sua conta em risco. Não esperem uma narrativa séria, ativista e tal, saibam que Lena é uma pessoa incomum (pelo menos para mim) e egocêntrica que optou por contar sua história de modo descontraído, mesmo quando deveria falar mais sério. Talvez você se identifique com Lena mais do que eu, mas uma coisa é certa, você de algum modo será afetada, atingida, tocada, mudada ou balançada por "Eu não sou uma dessas", você sendo ou não uma dessas... seja lá o que isso quer dizer.

Classificação: 

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

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