21 de agosto de 2017

RESENHA: Para educar crianças feministas - um manifesto

Editora: Companhia das Letras
Autor(a): Chimamanda Ngozi Adichie
Número de páginas: 96

Sinopse: Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.
Olá gente lindaaa!!
Hoje vim falar sobre um livro super curtinho que deveria estar na cabeceira de todo ser humano. Sério. Eu já li "Sejamos todos feministas" da autora e assisti algumas falas dela no TED, por isso a admiro há um bom tempo, mas acho que dentre tudo o que eu já tive o prazer de conhecer de Chimamanda Adichie, "Como educar crianças feministas" é o que mais toca em pontos essenciais no que diz respeito a questões de gênero: para termos um mundo melhor para mulheres e homens, é preciso que a educação de meninos e meninas seja exatamente a mesma. Igualdade total e completa.
"[...] penso que é moralmente urgente termos conversas honestas sobre outras maneiras de criar nossos filhos, na tentativa de preparar um mundo mais justo para mulheres e homens." (página 8)
Embora eu não tenha filhos e, confesso, não pretenda ter, tenho dois sobrinhos e mais de uma vez ouvi alguém da família dizendo ao meu sobrinho para "falar como um homem", ou para não pegar os ursinhos da tia Amanda "porque são coisas de menina" e etc, e isso sempre me incomodou. Como uma criança de quatro anos pode falar como um homem? Ele deve falar como uma criança! Que história é essa de "coisas de meninas"? Brinquedos são apenas brinquedos e são feitos para crianças. Brinquedos e brincadeiras não têm gênero.

Chimamanda começa o livro dizendo que o texto se trata, na verdade, de uma carta escrita a uma amiga que lhe pediu alguns conselhos para educar sua filha de forma feminista. Chimamanda, apesar de não ser mãe na época, pensou em quinze sugestões (não regras) que poderiam ajudar a amiga. E é esse o conteúdo do pequeno livro: quinze sugestões que podem ajudar qualquer um de nós não apenas a educar uma criança feminista - o que não significa criar uma menina sem "feminilidade" ou com ódio dos meninos/homens (acreditem se quiserem, ainda há quem confunda feminismo com essas duas coisas), mas entender algumas coisas com as quais convivemos diariamente em nossa sociedade e, por vezes, não percebemos que são uma clara discriminação de gênero.
"Para mim o feminismo é sempre uma questão de contexto. Não tenho nenhuma regra. A coisa mais próxima disso são minhas 'Ferramentas Feministas', que vou dividir com você como ponto de partida.
A primeira é a nossa premissa, a convicção firme e inabalável da qual partimos. Que premissa é essa? Nossa premissa feminista é: eu tenho valor. Eu tenho igualmente valor. Não 'se'. Não 'enquanto'. Eu tenho igualmente valor. E ponto final."
(página 12)

A autora nos alerta, ainda, sobre o que ela chama de "Feminismo Leve", quando as pessoas se dizem feministas, mas segundo certas condições ou aspectos específicos. Isso não é feminismo, minha gente. Ou se deseja igualdade entre os gêneros, ou não.
"Ser feminista é como estar grávida. Ou se é ou não se é. Ou você acredita na plena igualdade entre homens e mulheres, ou não." (pagina 29)
Enfim, apesar de curtinho, esse livro tem muito a dizer. E diz de forma simples, clara e direta para que ninguém ainda seja capaz de dizer que não entendeu que o buraco é mais embaixo, que nossa (ou todas?) sociedade ainda tem um longo caminho pela frente. E nós, mulheres, ainda temos muito pelo que lutar. Deixo abaixo mais alguns trechos que marquei. (o livro é pequeno, mas tenho citações para o resto do ano rs).
"Nossa cultura enaltece a ideia das mulheres capazes de 'dar conta de tudo', mas não questiona a premissa desse enaltecimento. [...] O trabalho de cuidar da casa e dos filhos não deveria ter gênero, e o que devemos perguntar não é se uma mulher consegue 'dar conta de tudo', e sim qual é a melhor maneira de apoiar o casal em suas duplas obrigações no emprego e no lar." (página 18)
"Ensine a ela que 'papéis de gênero' são totalmente absurdos. Nunca lhe diga para fazer ou deixar de fazer alguma coisa 'porque você é menina'.
'Porque você é menina' nunca é razão para nada. Jamais.
Lembro que me diziam quando era criança para 'varrer direito, como uma menina'. O que significava que varrer tinha a ver com ser mulher. Eu preferiria que tivessem dito apenas para 'varrer direito, pois assim vai limpar melhor o chão'. E preferiria que tivessem dito a mesma coisa para os meus irmãos." (páginas 21-22)
"Saber cozinhar não é algo que vem pré-instalado na vagina. Cozinhar se aprende. Cozinhar - o serviço doméstico em geral - é uma habilidade que se adquire na vida, e que teoricamente homens e mulheres deveriam ter." (página 22)
"[...] nosso mundo está cheio de homens e mulheres que não gostam de mulheres poderosas. Estamos tão condicionados a pensar o poder como coisa masculina que uma mulher poderosa é uma aberração." (página 33)
"Ensine-lhe que, se você critica X nas mulheres e não critica X nos homens, então você não tem problemas com X, mas com as mulheres." (páginas 36-37)
"As mulheres precisam andar 'cobertas' para proteger os homens. Isso me parece profundamente desumanizante, porque reduz as mulheres a meros acessórios usados para administrar os apetites masculinos." (página 68)
Classificação: 

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

5 comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Adorei o texto! Sem dúvidas, é essencial educar crianças capazes de viver em sociedade e reconhecer a importância da igualdade entre os gêneros. Quem sabe assim as próximas gerações poderão, aos poucos, eliminar os problemas quantos às questões de gênero. Abraço!

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    1. Oi, Maria, tudo bem?
      Primeiramente, obrigada pelo comentário.
      Fico feliz que você tenha gostado da resenha e tenho certeza de que você gostaria ainda mais desse livro. Leia sem medo, pois essa nigeriana sempre tem muito a dizer e muitas contribuições importantíssimas à nossa sociedade machista, patriarcal...

      Abraços!

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  3. Saudações Lady Amanda,
    Quais são as chances desse livro ser obrigatório nas escolas?
    Seria tão bonito!
    Já pedi o meu, está em promoção na Saraiva.
    Também não pretendo ter filhos, mas ainda assim, é um conteúdo importante quando se tem crianças por perto. Foi uma descoberta muito boa.


    O Castelo foi reaberto, venha conferir as novidades!
    Att A Rainha ♛ The Queens Castle
    Recomeço

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