20 de junho de 2016

RESENHA: Menina Má

Editora: DarkSide Books
Autor(a): William March
Número de Páginas: 262

Sinopse: Publicado originalmente em 1954, Menina má se transformou quase imediatamente em um estrondoso sucesso. Polêmico, violento, assustador eram alguns adjetivos comuns para descrever o último e mais conhecido romance de William March. Os críticos britânicos consideraram o livro apavorantemente bom. Ernest Hemingway se declarou um fã. Em menos de um ano, Menina má ganharia uma montagem nos palcos da Broadway e, em 1956, uma adaptação ao cinema indicada a quatro prêmios Oscar, incluindo o de melhor atriz para a menina Patty McComarck, que interpretou Rhoda Penmark. 
Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.
Olá gente lindaaa!!
Hoje venho trazer mais uma super resenha da querida Ana Gonçalves, uma das novas resenhistas do blog. Desta vez, o livro escolhido foi "Menina Má", recentemente publicado pela DarkSide Books. Esperamos que vocês gostem!
Ah, não deixem de conferir a resenha que a Ana fez do livro "Seis Anos Depois", do autor Harlan Cober.
Vamos ao que interessa, confiram a resenha!

***
Menina Má foi escrito em 1954, durante a era de ouro da psicanálise nos EUA, influenciada por Freud, e foi recusado por editoras por ser considerado “chocante demais”. Muitas das características da personagem Rhoda refletem a personalidade perturbada do autor tornando-o um romance muito pessoal. A menina era considerada madura para sua idade de apenas 8 anos:
"Os adjetivos mais usados por todos ao falar de sua filha eram “singular”, “modesta” ou “tradicional”; e a sra. Penmar, de pé no umbral, sorriu, concordando e imaginando de onde a menina poderia ter herdado sua compostura, seu asseio sua autossuficiência fleumática. Ela entrou na sala e perguntou: 'Você conseguiu mesmo pentear e trançar o cabelo sem a minha ajuda?'." (página 24)
Rhoda sabe exatamente como ganhar a confiança das pessoas e assim conseguir o que quer. Esse jeito manipulador e independente faz com que seus pais a matriculem em uma escola considerada avançada e disciplinadora. Apesar de possuir boas notas e se destacar nas aulas, Rhoda não é popular, mas temida e detestada pelos colegas. 
A história começa a ganhar forma, e começamos a montar a personalidade de Rhoda, após a personagem perder uma competição de melhor caligrafia para seu colega de sala, Claude. É a partir dessa passagem da narrativa que há toda a preparação para os subsequentes eventos que ocorrem: 
“'Ela era minha', teimou Rhoda. 'A medalha era minha.' Seus olhos castanho-claros redondos arregalavam-se ao máximo, estáticos. 'Era minha. A medalha era minha'." (página 8). 
Após esse incidente, há um passeio com a escola em que o colega que havia ganhado a medalha morre afogado. Para a não tão esperada surpresa da mãe de Rhoda, esta não apresenta nenhuma reação; para a mãe, Rhoda é fria e calculista, além de ser mencionada como a última pessoa a ver Claude com vida. Posteriormente, descobre-se que a garota escondia a medalha do colega em seu porta-joias, mas manteve isso em segredo o tempo todo. O que se sabia era que Claude a usou durante todo o passeio.
A mãe de Rhoda passa então a desconfiar da filha e ver outro lado seu (um que ela se negava a enxergar) e passa a se lembrar de casos que aconteceram anos atrás e que apenas Rhoda testemunhara: a morte de seu cachorrinho, que “cai” misteriosamente de sua janela, e o da senhora Clara Post, que cai da escada de sua casa. 
A partir dessa reflexão, Christine passa a fazer investigações sobre casos de crimes do passado com o pretexto inventado de estar escrevendo uma historia de mistério e acaba descobrindo verdades chocantes sobre sua filha, ela mesma e toda sua origem familiar.
"Como posso culpar Rhoda por seus atos? Quem tem essa semente do mal e a passou para ela fui eu. Se alguém tem culpa, esse alguém sou eu, e não ela. [...] Sou eu que tenho a semente do mal". (página 206)
 ***
Quando comecei a leitura do livro acreditava que a história fosse ser contada pela personagem Rhoda. No entanto, ela é uma personagem secundária, tomando sua mãe o lugar de protagonista. Acompanhamos a angústia da mãe da menina, suas dúvidas e inquietações, seus pensamentos. A ideia de sabermos o que se passa na cabeça da personagem é incrível, adoro quando os autores fazem uso dessa estratégia. Parece que é dado ao leitor a oportunidade de saber algo que ninguém, nenhum outro personagem do livro irá saber, quase como um segredo que o autor confia apenas a nós. É um livro ao mesmo tempo de fácil leitura, no que diz respeito à linearidade, mas pesado no que diz respeito à sua essência: é um livro perturbador! Valeu muito a pena a leitura.

Classificação: 


***
Beijos e amassos!!

3 comentários

  1. Adorei a resenha! Fiquei com muita vontade de ler o livro. Vocês estão de parabéns!!

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  2. Adorei a resenha! Fiquei com muita vontade de ler o livro. Vocês estão de parabéns!!

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    Respostas
    1. Oi, Eliane!
      Ficamos felizes que você tenha gostado. Leia, sim! Depois volte para nos contar o que achou do livro.

      Beijos

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