5 de fevereiro de 2018

RESENHA: Mansfield Park

Editora: Martin Claret
Autor(a): Jane Austen
Número de páginas: 575

Sinopse: Aos 12 anos de idade a jovem Fanny passa a morar de favor em Mansfield Park, a casa do esposo de sua tia, Sir Thomas Bertram. Inteligente e estudiosa, ela logo se torna amiga de seu primo Edmund, o filho mais novo de seus tios, apesar de ser sempre destratada por seu tio e pelas suas primas fúteis. Com o passar do tempo Fanny se torna uma bela mulher, que acaba chamando a atenção de Henry Crawford, jovem que se tornou recentemente seu vizinho juntamente com sua irmã, Mary. Notando o interesse de Henry por Fanny, os tios dela logo promovem um encontro entre os dois para logo depois se sentirem revoltados com o desprezo que a jovem demonstra pelo seu novo vizinho.

Olá gente lindaaaa!
Finalmente uma resenha nesse blog! Finalmente consegui concluir a leitura de "Mansfield Park" (eu ouvi um "Amém!"?) e confesso que nunca foi tão difícil ler Jane Austen!

Que Jane Austen faz do cotidiano um acontecimento e cenário para todas suas obras não é segredo, mas em "Mansfield Park" fiquei angustiada por um bom tempo, pois a sensação era que página após página havia vários "nadas" acontecendo. Explico: já no início, como de costume, a autor nos apresenta os principais personagens, os habitantes de Mansfield e seus familiares, o lugar em que vivem, sua condição financeira, o modo como de três irmãs apenas uma foi afortunada o suficiente para conseguir um bom casamento e se tornou esposa de Sir Thomas Bertram, e portanto, senhora de Mansfield Park.

Feito isso, somos apresentado à nossa protagonista de fato, a pequena Fanny, que aos dez anos é mandada para Mansfield Park para ser criada, caridosamente pela tia, sra. Bertram. Sabemos que no período era comum, tendo-se muitos filhos, deixar um ou mais aos cuidados de parentes com melhores condições. E foi este o caso.

No entanto, conforme a história vai avançando, vemos que Mansfield Park é tudo, menos um lar para Fanny, que é trata com extrema diferença em relação ao primos e primas, e a desagradável tia Norris (que teve a brilhante ideia de que a irmã, sra Bertram mandasse buscar e criasse um dos filhos da pobre irmã Francis Price) nem por um minuto permitiu que Fanny esquecesse de que não estava em seu lar, entre a família, lembrando-a constantemente de ser extremamente grata.
"- Encontraremos certa dificuldade, sra. Norris - observou sir Thomas - quanto à distinção correta a fazer entre as meninas à medida que crescem: como preservar na mente das minhas filhas a consciência de quem são, sem fazê-as menosprezar a prima, e como, sem deprimir demasiado o espírito dela, fazê-la lembrar que não é uma sta. Bertram?" (página 17)
Toda essa situação faz com que o leitor solidarize com a pobre Fanny, que cresceu sentindo-se um peso, um estorvo e pouco a vontade em Mansfield Park. No entanto, outro efeito causado pela descrição dos fatos e dos personagens, é a antipatia instantânea com todos eles. São todos extremamente desagradáveis e a própria protagonista, Fanny Price, é apática, sem sal, sem entusiasmo, sem personalidade. Enfim, sem as características típicas de uma heroína de Austen.
"Quanto às alegrias das primas, adorava ouvir suas histórias, sobretudo as dos bailes, e com quem Edmund dançara; mas se julgava em condição demasiado inferior para imaginar que algum dia viesse a participar disso." (página 45)
Com a chegada dos irmãos Mary e Henry Crawford à vizinhança e, em pouco tempo, ao círculo familiar, não apena essa diferença entre Fanny e os primos fica evidente, mas os sentimentos de Fanny pelo primo Edmund. Com o encantamento do primo pela fútil Mary Crawford, Fanny se vê ainda mais ameaçada e longe de um dia receber o afeto do primo, que a vê como uma irmã e uma amiga confidente. Embora Edmund seja, desde sempre,s eu único amigo e o único com quem pode realmente contar em Mansfield, sempre teve por ele um amor muito mais que fraternal, embora ninguém o saiba.
Com o passar do tempo, não apenas a personalidade duvidosa de Mary Crawford, como também a vaidade excessiva e a falta de moral de Henry fica evidente, embora Fanny pareça ser a única pessoa a ver quem realmente são os Crawford. Todos a sua volta parecem adorá-los e ignorar seus maus hábitos, más ações e intenções. E, após alguns acontecimentos, dos quais Fanny participa apenas como telespectadora, algo de fato parece acontecer quando sir Thomas acha que seria uma boa ideia ver a sobrinha casada com Henry Crawford.
"Considerava-a particularmente livre de obstinação de temperamento, presunção e toda tendência àquela independência de espírito que tanto predomina nos dias modernos, até nas moças, e que nas moças é ofensiva e desagradável além de qualquer ofensa comum". (página 381)
Confesso que durante boa parte eu fiquei esperando que algo de fato acontecesse, mas no geral eu achei a história morna. Fanny, desde o início não parecia ser protagonista nem da própria vida e, assim como os demais personagens totalmente dispensáveis na trama. Acho que estou mal acostumada com heroínas como Anne (Persuasão), Elinor (Razão e Sensibilidade) e Elizabeth (Orgulho e Preconceito), por isso custei tanto a simpatizar com Fanny. No entanto, isso não desmerece em nada a escrita da autora, que continua excepcional, e a tão bem feita construção dos personagens, que permite que nos identifiquemos ou reconheçamos esteriótipos existentes ainda hoje, mesmo dois séculos após a escrita de "Mansfield Park".
Embora a história não tenha me cativado e eu ache que 575 página não fossem necessárias à história, ainda assim recomendo a leitura, pois a escrita de Jane Austen não deixa nada a desejar e é sempre bom ver como ela construía tão bem cada personagem e a estrutura do texto.

Classificação: 

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

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