26 de junho de 2017

RESENHA: Por favor, cuide da Mamãe

Editora: Intrínseca
Autor(a): Kyung-Sook Shin
Número de páginas: 240

Sinopse: Em que momento da vida entendemos os sacrifícios que nossas mães fizeram? E o que acontece se é tarde demais para agradecer?
Por favor, cuide da Mamãe conta a história de Park So-nyo. Moradora de uma aldeia no interior da Coreia do Sul e mãe de cinco filhos já crescidos, ela desaparece ao chegar a Seul para visitá-los. Como fez a vida toda, o marido, com quem Park é casada há mais de 50 anos, simplesmente supôs que a esposa o seguia e a deixou para trás numa estação de metrô. Essa é a última vez que Park é vista.
Enquanto a procuram pelas ruas da cidade, o marido e os filhos relembram a vida de Park So-nyo e repassam mentalmente tudo o que não disseram a ela. Por meio de suas vozes, começamos a entender os desejos, as dores e os segredos de uma mulher que ninguém nunca conheceu de verdade. E, à medida que o mistério do seu desaparecimento se desenrola, deparamos com um enigma ainda maior, comum a todas as mães e filhos: como o carinho, a exasperação, a esperança e a culpa somam-se para dar origem ao amor.
Terno, redentor e belamente escrito, Por favor, cuide da Mamãe reconecta o leitor à própria história e a seus sentimentos mais profundos. Ao mesmo tempo um retrato da Coreia do Sul contemporânea e uma história universal sobre família e amor.
Olá gente lindaaa!!!
Uma frase que define bem o livro "Por favor, cuida da Mamãe" é: a gente só dá valor quando perde. E isso serve pra todos nós e cada um de nós. Nós costumamos viver em função do trabalho, da carreira ou de qualquer outra coisa e acabamos deixando de apreciar momentos simples, do nosso cotidiano, ao lado das pessoas que amamos. Sempre achamos que teremos muito tempo futuramente para essas coisas "desimportantes". Depois que eu terminar meus estudos, quando eu estiver financeiramente estável, depois que eu viajar pelo mundo, quando eu constituir minha família, quando eu terminar de resolver esses assuntos, quando eu me aposentar... Mas, quem sabe o tempo que cada um tem? Como saber se o amanhã virá? Como saber se uma oportunidade surgirá?

O livro gira em torno do desaparecimento de Park So-nYo, uma senhora de 69 anos, que sumiu em uma estação de metrô em Seul, quando se perdeu do marido. Com apenas cinco capítulos, acompanhamos, além da busca pela idosa, as angústias e arrependimentos de alguns personagens: a filha mais velha, que sempre foi temperamental e permanece solteira após os trinta anos; o primogênito da família e os privilégios e responsabilidades de o ser, o marido, que sempre foi ausente e negligente em relação à família e a esposa...
“- Você precisa estudar muito para conseguir ingressar em um mundo melhor.
Na época, você entendeu o que ela quis dizer? Quando ela a repreendia, quase sempre você a chamava de Mamãe. A palavra “Mamãe” é familiar e esconde um apelo: por favor, tome conta de mim. Por favor, pare de gritar comigo e faça um afago na minha cabeça; por favor, fique do meu lado, tenha eu razão ou não”.
(página 24)
Já na sinopse é possível saber que a Mamãe, como Park So-nYo é referida ao longo de todo livro, nunca mais é vista após o tal desaparecimento, por isso é ainda mais angustiante acompanhar as memórias, arrependimentos, remorsos dos personagens, que não deram a devida atenção ou o devido valor à Mamãe enquanto ela estava presente em suas vidas e, pior ainda, agora que a mãe desapareceu, eles se dão conta de que mal conhecem a mulher que se sacrificou por eles durante toda uma vida. E, por diversas vezes eu fiquei me perguntando, "E eu? Eu dou o devido valor à minha mãe? Quantas vezes eu preferi ficar trancada em meu quarto fosse qual fosse o motivo em vez de passar um tempo com ela falando sobre qualquer coisa?". Esse e outros pensamentos nos vem à mente o tempo todo enquanto lemos este livro. Acredito que todos nós, em algum momento da vida, temos uma relação conflituosa com nossos pais, em especial com nossa mãe, seja por diferenças geracionais, por regras impostas ou qualquer que seja o motivo. E, com isso, tendemos a ser, quase sempre, intolerantes e impacientes até mesmo em relação as coisas mais simples.
“Quase nada nesse mundo acontece de forma inesperada quando refletimos com atenção. Mesmo o que alguém poderia considerar incomum, se pensarmos bem, é apenas alguma coisa que tinha possibilidade de acontecer. Deparar-se repetidas vezes com acontecimentos incomuns significa pouca reflexão sobre eles”. (página 34)
Li uma resenha no Skoob em que a usuária dizia que "Por favor, cuide da Mamãe" era delicado como uma carta escrita à mãe, e eu não consegui encontrar uma comparação mais feliz. Uma palavra que pode descrever bem este livro é delicado. Além disso, é também bastante sensível, ainda que descreva a crueza das coisas. Por meio da narrativa de Kyung-Sook Shin, conhecemos um pouco da cultura tradicional coreana (que será um pouco familiar para que acompanha doramas coreanos, como eu), e o contraste entre a vida em uma região rural e a agitada capital sul-coreana, Seul... os conflitos entre a geração da Mamãe e os filhos..
“- Como consegue viver sem confiar nas pessoas? Há mais gente boa do que mal! – E deu um típico sorriso otimista”. (página 79)
Ao longo das memórias dos filhos e do marido, vemos que Mamãe teve uma vida de sacrifícios, vivendo em função da casa, dos filhos e do marido, mas ao mesmo tempo, aprendemos muitas lições com essa senhora, que era capaz de ser gratas às mais simples e pequenas coisas.
O que mais me incomodou no início, mas que assim que eu entendi me deixou bastante tocada, foi o fato de no primeiro capítulo e o epílogo, o narrador inserir o leitor na história, como se fosse um dos filhos da matriarca. No começo eu estranhei o fato de a narrativa ser desse modo, mas assim que eu fui sendo inserida na história, como se fosse um dos personagens e como se o narrado estivesse lembrando minhas ações e falhas para com a Mamãe, meu coração foi ficando cada vez mais apertado... com meus próprios remorsos e arrependimentos em relação à minha mãe.
“'Eu quero ler para crianças que não conseguem enxergar.
Eu quero aprender chinês.
Se eu ganhar muito dinheiro, quero ter um pequeno teatro.
Eu quero ir ao Polo Sul.
Eu quero fazer uma peregrinação a Santiago.’
A baixo havia mais trinta frases que começavam com ‘eu’.
- O que é isso?
- Na véspera do último Ano-novo, anotei o que eu queria fazer de minha vida além de escrever. Por diversão. As coisas que queria fazer nos próximos dez anos. Mas não planejei fazer nada com Mamãe. Não percebi isso enquanto escrevia. Mas agora que leio depois de Mamãe sumir...”
(página 114)
O que eu aprendi com esse livro? Primeiro, que nunca temo o amanhã. Por isso, é preciso amar hoje, fazer com que nossos entes queridos e amigos saibam que os amamos HOJE. Segundo, nada é tão preciso quanto estar ao lado de quem amamos, as outras coisas podem esperar. No final das contas e no final dos nossos dias, será desses momentos que nos lembraremos com carinho e saudade. Todo dia é uma ocasião especial. Leitura mais do que recomendada. Pode ser o livro que você precisem para abrir os olhos e refletir sobre suas relações. Assim como aconteceu comigo.

Classificação: 

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

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