4 de agosto de 2014

RESENHA: Escravas de Coragem

Editora: Arqueiro
Autor(a): Kathleen Grissom
Número de Páginas: 331

Sinopse: Belle já tinha problemas suficientes preparando a comida da casa-grande e cuidando para se manter longe dos olhos de D. Martha e de seu filho, Marshall. Eles não sabem que, na verdade, ela é filha ilegítima do capitão James Pyke, por isso imaginam o pior em relação à preferência do capitão pela escrava mestiça. Ser responsável por uma menina meio doente que acaba de chegar à fazenda é um tormento do qual Belle não precisava. A garota parece incapaz de reter comida no estômago, mal fala, não se lembra de nada e, às vezes, é até meio assustadora, com sua cara de avoada. Além de tudo é branca e tem cabelos cor de fogo. Mas Belle sabe que, entre as pessoas que a acolheram, a cor da pele não significa nada e por isso acaba recebendo Lavinia de braços abertos. Esse é apenas o início da saga de uma família formada por laços que vão muito além do sangue. Uma história de coragem, esperança, força e amor à vida.

Olá gente lindaaaa!!!
Desde maio estou adiando a leitura de "Escravas de Coragem", apesar de querer muito ler, pois li algumas resenhas falando da densidade e intensidade da história. Eu não estava no clima. Entretanto, na última semana eu resolvi ler e não me arrependi. Uma história linda, cheia de reviravoltas e acontecimentos angustiantes, daqueles em que o leitor se flagra tentando alertar as personagens sobre alguma catástrofe iminente.
Com "Escravas de Coragem" a frase "desgraça pouca é bobagem" faz bastante sentido.

No ano de 1791, Belle - uma escrava branca - apesar de já ter muito com o que se preocupar, tem que lidar com o fato de que o capitão, o Senhor da fazenda, volta de sua última viagem com uma garotinha branca de uns sete anos e a deixa sob seus cuidados e 'treinamento'.
Aos 18 anos anos, Belle é uma linda jovem que é a causa da ira da esposa do capitão. Além de trabalhar como uma escrava na casa da cozinha da propriedade em que um dia foi tratada como filha, tem que aturar as insinuações e ofensas de D. Martha, a esposa de seu pai. D. Martha, em sua ignorância, vê com maus olhos a atenção que o marido dispensa à escrava Belle, sem imaginar que a jovem, na verdade, é a filha do marido com uma antiga escrava, afinal é inimaginável que um homem branco se envolva com uma negra, a não ser que seja apenas para saciar suas necessidades.
A história é narrada principalmente sob o ponto de vista de Lavínia, a garotinha desmemoriada que o capitão leva para casa após uma viagem, porém, intercala-se a narrativa com breves capítulos narrados por Belle, que nos permite compreender melhor alguns aspectos dos acontecimentos que passam despercebidos aos olhos de uma criança de sete anos.
"Eu estava com dor no peito e era difícil respirar, mas confirmei com um aceno da cabeça.
-Ótimo. Nesse caso, vamos mantê-la aqui até você crescer. - Fez uma pausa. - Quer perguntar alguma coisa?
- Minha necessidade de saber ultrapassou o meu pavor. Cheguei mais perto dele:
- Meu nome - consegui murmurar." (página 16)
Aos poucos a garotinha vai se habituando a rotina da casa da cozinha e aprendendo a ajudar da melhor forma possível e se apega cada vez mais a família de escravos que a rodeia. Eu, assim como Lavínia, me apeguei a cada um deles: Papa George e Mama Mae, um casal de meia idade com vidas sofridas e, ainda assim, muito amor à oferecer; as gêmeas Fanny e Beatlie, Ben e suas duas mulheres, e várias outras personagens.
Com o passar dos anos muitas coisas acontecem. Acompanhamos o declínio de D. Martha, as apreensões de Belle, a mágoa de Marshal e a paixonite juvenil de Lavínia por Will.
"De repente, senti-me corajosa.
- Talvez você queira esperar por mim, até eu crescer. Eu poderia ser sua namorada.
- Ora, ora! - exclamou ele. - Essa é uma boa ideia.
- Eu sou muito esperta - prossegui. - E sei cozinhar e ler, e a Sukey é louca por mim.
- E quem é Sukey? - ele perguntou?
- Era a filha da Dory, mas, quando ela morreu, a Sukey quis que eu fosse mãe dela.
Dei um sorriso e cruzei as mãos no colo.
- Você não é meio nova para isso? - perguntou Will.
- Tenho 12 anos - respondi, indignada.
- Nesse caso, está bem, é claro." (página 137)
A cada capítulo alguma coisa, alguma reviravolta acontece, de modo que é impossível o leitor não ficar chocado e inconformado, embora possa prever muitas das situações. Sabem aquela esperança que sentimos até o último minuto? A esperança de que algo bom pode acontecer.... tem que acontecer.
Torci por algumas personagem, tentei justificar as ações de outras, sofri sempre que algo angustiante acontecia (o tempo todo!) e culpei o capitão por seu silêncio que desencadeou tanta coisa ruim.
"Dei graças por ela saber, tendo vivido suas próprias tragédias indizíveis, que as palavras eram desnecessárias." (página 245)
***
Uma história angustiante, intensa e linda. Muitas reviravoltas envolvendo uma família unida por algo muito mais forte que laços sanguíneos e o dilema de uma jovem entre sua família de coração e sua família por obrigação.
Eu adorei o livro, mas confesso que não dei cinco estrelas pelo fato de que boa  parte das 'desgraças' que acontecem na história poderia ter sido evitada se houvesse um  pouco mais de diálogo entre as personagens. Sabe quando uma personagem fica imaginando certas coisas, mas não pergunta nada para ter certeza e fica por isso mesmo? Então, "Escravas de Coragem" é recheado desse tipo de mal entendido irritante! haha
Recomendo a leitura, com certeza!

Classificação:

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

18 comentários

  1. Ola Amanda lindona acho que vou deixar passar essa leitura , adiarei para um momento melhor, pelo visto pouca desgraça é pouco rsss é um livro bem intenso , repleto de reviravoltas como disse em sua resenha. Assim que ler venho aqui comentar mais . beijos

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  2. Oi, Amanda.
    Puxa, que livro pesado, não é do tipo que eu leria..
    Sou da teoria que a vida já é ruim, então eu prefiro ler livros mais felizes e fora da realidade , que me deixem com esperança de que coisas boas acontecem rs

    Beijos
    Rayssa
    http://diariosdleitura.blogspot.com.br/

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  3. Eu tenho esse livo em casa, quero começar a ler ele em breve, pois imagino que a história deve ser muito bonita e emocionante, pelo menos é isso que eu vejo na maioria das resenhas e mesmo que você tenha apontado alguns potinhos negativos, eu ainda continuo super animada em ler o/

    Beijos :*
    Larissa - Srta. Bookaholic

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  4. Olá, a capa do livro é bem linda e a sinopse me
    deixou bem animada para conferir o livro. Mas após ler
    sua resenha, fiquei com dúvidas se leria ou não. Achei a
    narrativa um pouco confusa, mas é bem interessante,

    bjs

    http://www.loveebookss.com.br/

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  5. Oi Amanda, tudo bem?
    Já faz um tempo que quero ler esse livro, acho que vou comprar ele na Bienal de São Paulo. Também já li diversas resenhas positivas e uma grande amiga minha me recomendou esse livro, então tenho que ler...rsrsrs.

    Beijos,
    www.leitorasempre.com

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  6. Amanda eu também venho querendo ler esse livro desde que foi lançado, mas tenho adiado justamente por causa da densidade da história, preciso estar preparada.
    Ah essas personagens que ficam caladas e deixam as coisas acontecerem me tiram do sério, fico com vontade de dar uma sacudida nelas rsrs.

    Beijos.
    Leituras da Paty

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  7. Amanda,
    Geralmente livro que trazem como tema a escravidão são densos e tensos não é mesmo?!
    Acho uma crueldade uma filha, por mais bastarda que seja, ser tratada como escrava!
    Adorei sua resenha e preciso me preparar emocionalmente pois não concordo com muitas coisas da época e ler sabendo que já aconteceu realmente irá me revoltar.
    Beijos
    Chrys Audi
    Blog Todas as coisas do meu mundo

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  8. Acho mesmo muito irritante essa falta de comunicação entre as personagens, é o motivo pelo qual odeio um livro que muita gente ama, O Morro dos Ventos Uivantes, acho que poucas palavras teriam resolvido o problema... rs... Quanto a Escravas de Coragem, quero ler desde que o vi pela primeira vez, e continuo querendo, mas depois de saber desse probleminha tenho que me preparar psicologicamente... Curto muito histórias intensas e angustiantes, então de qualquer maneira vou ler, mesmo que demore um pouquinho para fazer isso.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  9. Olá, apesar de você ter gostado eu acho que não me daria bem lendo esse livro, não faz muito meu estilo, embora eu goste bastante de história e essa premissa tenha sido de fato interessante.

    Abraço!
    www.umomt.com

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  10. Oi Amanda, tudo bem?
    Deve ser um livro bem forte mesmo, só pelo o que contou já sou capaz de imaginar. Esse período da nossa história foi muito cruel, se bem que cruel é pouco para definir o que aconteceu. Quero muito ler esse livro!!!!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  11. Personagens que não dialogam. isso me da uma raiva tremenda!
    Eu já tive interesse neste livro.. mas esse tipo de história nao é o melhor pra mim.. eu sempre sofro demais! Não consigo aceitar essa infeliz escravatura!

    Beeijinho. Dreeh
    Blog Mais que Livros

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  12. Oieee, ainda não tinha lido nenhuma resenha desse livro e achei muito interessante, não sabia do que o mesmo se tratava e achei a temática bem diferente e interessante, também odeio livros onde os personagens não dialogam e isso sempre dá em coisa errada kkkkk, acho que iria gostar do livro, você mudou minha visão sobre o mesmo, valeu pela dica, Abraços!!!

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  13. Por um lado esses maus entendidos - de falta de diálogos - podem ser irritantes, e por outro fazem o enredo ter mais atritos e ser menos lineares!
    Que bom que agora estava no clima, parece mesmo ser uma linda história intensa!
    Beijos!
    Paulinha Juliana - Overdose Literária
    http://overdoselite.blogspot.com.br/

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  14. Olá Amanda, tudo bem?

    Tenho visto centenas de críticas positivas sobre o livro e me arrependo amargamente de não tê-lo pedido ainda à editora. Ver como é a escravidão na pele do "sinhozinho" deve ser muito interessante. Vou deixar - mais uma vez - anotado aqui na minha listinha.

    Beijo

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  15. Olá Amanda, menina eu estou com este livro aqui na minha lista, e assim como você eu estou deixando rolar, para somente depois ler. Pois li muito elogios a obra e tenho medo de me decepcionar.
    Contudo, lendo sua resenha, sabe que me deu aquela vontade de pegar e ler. Por que o assunto de escravidão e mais romance com trama, são um tempero que quando misturado, é ótimo né. Então por isso, estou louca para ler e conhecer a historia.
    Agora que dá raiva esse negocio de personagens tomarem conclusões somente pelo que pensam dá raiva. E como dá, sei bem.
    Flor eu adorei a resenha!

    Beijokas Ana Zuky

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  16. Oi Amanda,

    vi algumas resenhas sobre esse livro, mas adorei a sua, explicou bastante coisa sem soltar spoiler. Imagino as dificuldades de Belle sendo uma escrava branca e fiquei indignada com a omissão do capitão, que poderia ao menos alforriá-la, já que era sua filha.
    Parece ser uma leitura emocionante, forte e densa, quem sabe no futuro eu não leia?

    Beijos,

    --
    Priscila Yume
    http://yumeeoslivros.blogspot.com.br/

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  17. Olá Amanda!
    Eu achei esse livro bem intenso. Já tinha visto uma resenha em outro blog e a opinião é a mesma. A história é muito angustiante, mas linda e que comove a quem ler.
    Posso te falar que o livro não me pegou, mas quem sabe em breve eu o leia. Não sei.
    Beijinhos!
    http://www.eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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  18. Olá tudo bem ?
    Bom eu não achei o libro nem um pouco interessante, na verdade esse gênero não me atrai e eu não estou podendo me aventurar em algo que eu tenho quase certeza que não vou gostar, meu tempo para ler está curtíssimo e isso só me deixou mais seletivo, esse é um livro que eu não leria no momento.
    Beijos, Carlos.

    http://blogchuvadeletras.blogspot.com.br/

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