29 de janeiro de 2014

RESENHA: Zenith (Exodus #2)

Editora: Farol Literário
Autor(a): Julie Bertagna
Número de Páginas: 328


Sinopse: A natureza está por um triz... Após o sucesso de Exodus, Julie Bertagna dá sequência a esta fascinante história com Zenith, uma aventura apaixonante que faz refletir sobre os caminhos e descaminhos da violenta transformação da natureza pelo homem. Os inúmeros refugiados do barco quase não têm mais alimentos. Parece que o mar engoliu tudo, até as estrelas. O cenário é desolador: e se o mundo inteiro for mesmo só oceano?
As águas não param de subir, muita gente já morreu e os sobreviventes buscam apenas um lugar onde seja possível recomeçar. Instigada por um precioso livro, a jovem Mara conduz todos à Groenlândia: após o derretimento das calotas de gelo, haveria uma terra verdejante no topo do mundo?
Porém, a cidade flutuante de Pomperoy – um acampamento de barcos repleto de ciganos marginalizados – não estava nos planos de Mara e de sua tripulação. Quando os oceanos subiram e devastaram o planeta, a enorme quantidade de informações do mundo perdido foi armazenada no ciberespaço. Mara usa então seu ciberwizz – pequeno globo do tamanho de uma maçã – para entrar no mundo virtual em busca de ajuda. Nas ruínas abaixo da cidade celeste, o raposo tornou-se um traidor de seu povo: sim, ele planeja uma revolução.

Olá gente lindaaaa!
Hoje venho falar para vocês sobre o segundo livro da trilogia Exodus publicada pela editora Farol Literário. Quem leu minha resenha de “Exodus” sabe o quanto eu gostei do universo estupidamente chocante e perverso criado por Bertagna e, por esse motivo mergulhei em Zenith com expectativas altíssimas. Não posso dizer que me decepcionei, mas a história não seguiu bem o que eu esperava e o desfecho, em particular, me frustrou um pouco.

ATENÇÃO: Esta resenha apresenta spoilers do livro anterior (são poucos, mas estão presentes).
“É como se o mundo fosse um navio naufragado e tudo que restou fossem seus destroços.” (página 208)
Apesar de Mara ter seguido rumo ao norte longínquo em um navio branco com os Treenesters, os pivetes e alguns refugiados, deixando para trás o Raposo, escondido na torre da universidade no Mundo Submerso, eu nunca entendi isso como uma separação de verdade. Não sei por que, mas para mim era óbvio que era apenas uma questão de tempo para que os dois conseguissem ficar juntos...
Nessa nova aventura Mara enfrenta as intempéries do clima, que vai ficando cada vez mais gelado e agressivo. A convivência no navio não é a das melhores. As pessoas começam a brigar por água, comida e espaço e ela nada pode fazer. A única coisa que ela pode esperar é que o livro sobre a Groelândia esteja certo e haja terra no final de sua jornada. Seu único consolo é seu ciberwizz, que lhe proporciona alguns momentos com o Raposo, embora seja apenas virtualmente. Não é como se ele estivesse ao lado dela, nem nada, mas é uma forma de saber que ele sofre tanto quanto ela pela separação. Que sente a falta dela tanto quanto ela sente a dele.
“Ela espera um pouco, o estômago se revirando de medo. Como ele não volta, ela sai da Weave, desolada ao se dar conta de que é assim que vai ser. Toda vez em que se separarem nunca saberão se o outro está bem até se encontrarem novamente sobre a ciberponte.” (página 87)
Enquanto isso, o Raposo tenta pensar em alguma estratégia para mudar seu próprio mundo, o Mundo Novo, o Munno. A cidade celeste criada por seu avô que, ao mesmo tempo em que é o paraíso de alguns, é o pesadelo de outros.
A vida no Mundo Submerso não é nada fácil. Ele passa o dia todo tentando encontrar comida e alimentando o fogo que ao final do dia mal tem energia para o ciberespaço. Assim, sua estratégia de ataque (ou defesa) contra a cidade celeste não evoluiu muito. Em diversos momentos ele se pergunta se não seria melhor ter ido com Mara para o norte. Porém, ele precisa terminar o que começou quando ajudou mara e os refugiados a fugir: uma revolução.
“Acordado, pergunta-se se uma parte de si mesmo realmente não foi com ela – se a dor de sua partida não rompeu a ligação entre o ciber-raposo e o raposo de verdade, o que se chama David Stone. Talvez David esteja vivendo no topo do mundo com Mara. Talvez seja por isso que se sinta tão perdido e morto ali.” (página 274)
A história é contada em terceira pessoa, sob os pontos de vista do Raposo, no mundo submerso; Mara, no navio rumo ao norte; e Tuck, um cigano do mar.
Tuck é um personagem novo inserido na história apenas nesse livro e tem papel crucial no desfecho. Ele é um cigano do mar e mora em uma cidade flutuante formada por barcos no meio do oceano, Pomperoy. Ele tem sua vida miserável virada de cabeça para baixo quando um navio branco atropela sua cidade e acaba matando sua mãe. Um navio rumo ao norte. O navio de Mara.
****
Devo dizer que essa trilogia continua me chocando com sua crueza. As condições climáticas extremas e as consequências do derretimento das calotas polares são tão possíveis que eu chego a temer pelas próximas gerações se algo minimamente semelhante ao que ocorre na história criada por Bertagna realmente acontecer.
Embora eu realmente seja fascinada pela intensidade da escrita de Betagna que, retrata um universo perverso de forma crua e às vezes poética, não fiquei muito satisfeita com o modo como as coisas aconteceram. A narrativa, embora siga padrão da do primeiro livros, não foi tão fluída para mim. Talvez eu esperasse um pouco mais de ação, ou alguma reviravolta milagrosa que tirasse Mara e os refugiados das condições tão extremas em que se encontravam, e, acabei encontrando a descrição de dias e mais dias de frio, fome e incertezas. Achei que acabou ficando repetitivo e lento em demasia e, contrastando com a narrativa que se arrastou em alguns momentos, a última parte do livro, bem no final, avançou rápido demais. Contraditório assim. Não sei se o que mais me desagradou foi a lentidão do começo ou a rapidez do final.
Ainda assim, anseio desesperadamente ler o terceiro e último livro dessa trilogia. Sem dúvida é uma das minhas próximas leituras e.... esperem por uma promoção. ;)

Classificação:

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

3 comentários

  1. Fiquei empolgada com seus comentários sobre os personagens. Estou na torcida pela mara. É a que mais me cativou até agora. Esse negócio de lentidão no começo do livro e depois rápido demais no desfecho, não me agradou muito. Mas assim mesmo vou tentar ler, pois já estou viciada na estória. rsrsrs Beijos.

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  2. Estou super ansiosa para ler esse livro, sua resenha ficou muito boa e mesmo tendo alguns spoiler sobre o livro anterior, não deixei de ler. Espero ter a oportunidade de ler esses livros, pois parecem ser ótimos :3

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  3. É até normal quando acontecem esses pequenos deslizes nos segundos volumes de trilogias e/ou séries. Uma pena que o ritmo da narrativa teve esses "travamentos", e essa mudança de ritmo lento no início para rápido no final. O fato é que, mesmo assim, a vontade de ler o desfecho não foi diminuída.

    @_Dom_Dom

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