23 de outubro de 2013

RESENHA: As Intermitências da morte

Editora: Cia das Letras
Autor(a): José Saramago
Número de Páginas: 208

Sinopse: "Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto", escreve José Saramago diante da representação tradicional da morte. Só mesmo um grande romancista para desnudar ainda mais a terrível figura. Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não pára de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja". Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna? Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para o autor, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.

Olá gente lindaaaa!
Eu sei que vocês devem estar se perguntando "Duas resenhas em uma única semana?". Calma, calma. Não arrumei tempo para ler, não. Lembram-se do Eld? Colunista do blog que eu apresentei para vocês há algum tempo atrás quando ele resenhou o livro "5º Cavaleiro"? Pois bem, hoje ele voltou para dividir com vocês suas impressões sobre "As Intermitências da Morte". Espero que gostem!
****
Que o Saramago é um gênio da literatura, ninguém questiona, mas nesse livro, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura ele definitivamente se superou.
As Intermitências da morte é um livro que vai falar sobre: a Morte. Mas de um jeito diferente e até cômico. Disfarçado de crítica social, Saramago vai problematizar algo fantasioso, criar um universo paralelo e pôr esse mundo em funcionamento, sendo fiel a realidade no quesito caos. E o melhor de tudo, você faz parte disso, quase uma testemunha. O livro não é muito longo, 204 páginas que consumi em apenas um dia. Quem não está acostumado a forma de escrever do escritor português pode estranhar no começo a pontuação e o fluxo de informações que te é dado
"Não vês que as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus, porque os nomes que lhes deste não são mais que isso, os nomes que lhes destes, Qual de nós dois é o filósofo, Nem eu nem tu, tu não passas de um aprendiz de filosofia, e eu apenas sou o espírito que paira sobre a água do aquário" 
Mas não se assuste, depois das 10 primeiras páginas te desafio a não querer saber o final.
Falando em final, esse livro tem algo de especial, é quase como se fossem 2 histórias dentro de uma só. Primeiro ele vai te contar o que acontece com Portugal quando a morte parar “de matar”. Sim, a Morte para de trabalhar, ninguém mais morre à partir da meia noite do dia 1 de janeiro, e com isso, se instala um pandemônio por meses que afeta o país economicamente, politicamente e religiosamente. Depois, quando a morte resolve aparecer, Saramago faz dela uma entidade “humana”. Com sentimentos e vontades, apesar de ainda assim, ser a eterna Morte.
“A morte conhece tudo a nosso respeito, e talvez por isso seja triste. Se é certo que nunca sorri, é só porque lhe faltam lábios, e esta lição anatômica nos diz que, ao contrário do que os vivos julgam, o sorriso não é uma questão de dentes. Há quem diga, com humor menos macabro que de mau gosto, que ela leva afivelada uma espécie de sorriso permanente, mas isso não é verdade, o que ela traz à vista é um esgar de sofrimento, porque a recordação do tempo que tinha boca, e a boca língua, e a língua saliva, a persegue continuamente” 

E quando ela resolve voltar a matar (e resolve avisar o governo por carta que assim o fará), ela acaba se envolvendo em um caso de amor com um humano (GE.NI.AL, SARAMAGO!)
Esse livro acabou entrando para os que tenho perto do coração, junto com 1984, do George Orwell e Incidente em Antares, de Érico Veríssimo (que prometo um dia resenhar pro blog <3 ).

Eld Johonny ;)

Classificação:  

***
Esperamos que gostem!!

Beijos e amassos!!

2 comentários

  1. Hey!

    Nossa, quantos elogios ao já famoso Saramago. Sempre tive vontade de ler algo dele pra ver oq ue tem de tão bom em seus livros! Tô pensando em ler este. Amei sua resenha, parece otimo!

    Um beijo
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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  2. Li Ensaio sobre a cegueira do Saramago, e até gostei, mas é pesado e cansativo. Esse eu acho que curtirei mais!

    @mmundodetinta
    maravilhosomundodetinta.blogspot.com.br

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