9 de setembro de 2014

RESENHA: O Condado de Citrus

Editora: Galera Record
Autor(a): John Brandon
Número de Páginas: 288

Sinopse: A Flórida do condado de Citrus não se parece em nada com aquelas imagens de televisão, com um clima convidativo, coqueiros e surfistas. Shelby Register, de quatorze anos, se muda para a cidade com cheiro de pântano com seu pai e irmã após a morte da mãe. Talvez a única coisa que a interesse seja o tal Toby McNurse, um delinquente sem cura que cumpre suas dezenas de detenções acumuladas. Já Toby não vê sentido na vida, nas paixões dos adultos, nas diversões dos amigos. Só sabe, em seu âmago, que está em seu destino fazer o mal. E ao observar as angelicais irmãs Register, sabe que o chamado de sua alma está prestes a ser atendido. 

Olá gente lindaaaa!!
Hoje venho falar com vocês sobre um livro, no mínimo, perturbador.
Eu terminei de ler "O Condado de Citrus" há pouco e confesso que ainda não sei se entendi muito bem o livro, ou seu propósito. Uma coisa é certa: o livro foi uma surpresa, muito diferente daquilo que eu esperava.

Iniciei a leitura esperando por personagens carentes, perdidos, mas que de algum modo iriam se encontrar, se ajudar e superar os próprios problemas (não sei por que raios eu imaginei que a história me lembraria "Como dizer adeus em robô"!). Me deparei com personagens complexos e contraditórios. Bizarros até.
Cada personagem mostra seu lado bom e ruim, ou melhor, fica evidente que todo mundo tem sua própria escuridão, ninguém é de todo bom ou ruim, mas acho que o autor levou isso quase ao extremo. Em diversos momentos eu chegava a me esquecer da idade das personagens, em especial a de Toby, que possui uma maldade inerente.
"Não era outro inútil vadiando. Vinha agindo como um, até aquele momento, mas estava destinado a um mal maior e conseguia sentir esse destino ao alcance das mãos. Era mais terrível por dentro do que todos os delinquentes juvenis do país juntos." (página 41)
A história gira em torno de três personagens centrais, Toby e Shelby - dois adolescentes de 14 e 13 anos - e o sr. Hibma, um professor de geografia nada ortodoxo que despreza própria profissão.
Logo de início, conhecendo o ponto de vista de cada uma dessas personagens nos deparamos com um garoto problema, que não se interessa por nada que a maioria dos garotos de sua idade se interessa, que pouco se importa com as consequências de seus atos, ainda que sejam pequenos atos de vandalismo (em princípio). Toby mora com o tio, um homem ocioso que passa seus dias bebendo um líquido a base de cicuta que ele cozinha todos os dias; não sabe quem é seu pai e a única coisa que tem da mãe é um antigo espelho de prata. Nenhuma lembrança. Nenhuma fotografia.
"Toby não se incomodaria de andar a noite inteira, limpando a mente de tudo. Desejava poder saltar os próximos anos da sua vida, até o momento em que fosse ele mesmo, o que quer que isso significasse." (página 11)
Shelby, por sua vez, é uma das alunas mais inteligentes do sr. Hibma, mesmo vivendo no Condado de Citrus há pouco tempo (desde a morte da mãe). Ela é quieta e gentil, a garota modelo... Ela vive com o pai e a irmãzinha, Kaley, com quem adora passar o tempo. Apesar da dificuldade de criar suas meninas sozinho, o pai de Shelby dá o seu melhor e faz questão de aproveitar o final de semana fazendo algum passeio com as filhas.
Shelby foi a personagem que mais me irritou, mais até do que o próprio Toby com suas maldades sem propósito, pois após determinado acontecimento (o que exigia certa reação da parte dela) ela se transformou. Pode ser que essa mudança de personalidade, essa rebeldia e busca por situações exóticas e o fato de ela 'colar' em Toby seja uma forma de superar o momento difícil, mas foi uma mudança bem radical.
"- (...) Eu não quero ser consolada. Não sou receptiva a sabedoria ou perspectivas.
- Mas eu deveria ser capaz de atravessar a sua muralha.
- Isso seria inútil - disse Shelby. - Se atravessar a minha muralha, não encontrará nada que queira encontrar."
(página 80)

O sr. Hibma, o único adulto que 'narra' o livro, muitas vezes se mostra o mais infantil. Vive idealizando o assassinato de uma colega de trabalho, a professora de inglês conservadora e religiosa. Em sua insatisfação pessoal, seja com o emprego ou a própria vida que não lhe oferece nada de interessante (ou melhor, ele próprio não tem nada de interessante para oferecer à vida ou a si mesmo) faz com que ele lecione de forma medíocre e duvidosa.
"A mente dele estava ficando velha, o corpo, rígido, mas o que mais o cansava era a ideia de permanecer na sua vida por outros 50 anos, outros cinco." (página 124)
****
Gente, a única coisa clichê deste livro é a relação boa moça + bad boy, mas pela primeira vez, o leitor fica torcendo para que eles não fiquem juntos. Sério. O restante do livro é totalmente surpreendente (seja isso bom ou ruim). O livro é dividido em três parte e não há uma separação por capítulo como estamos acostumados... O livro trata de várias coisas um tanto importantes, mas de forma sombria e bizarra, como eu falei no início, o autor chega ao limite. Conhecemos a frustração de um homem em seus 30 anos que se vê fazendo algo que não gosta, mas sem vontade suficiente para mudar sua situação, um homem acomodado e insatisfeito; um homem desesperado, que nunca teve um propósito na vida e passa os dias decidindo entre viver e morrer; uma garota certinha e inteligente e anceia por mudanças, por conhecer novos lugares, por aventura e um pouco de mistério, por isso se sente atraída pelo garoto-problema, que esbanja mistério e um "Q" de perigo", e; um garoto que, de algum modo, sente um chamado interior que o incita a fazer o mal e, para ele tudo bem, ele precisa ouvir o chamado. Ele não se importa.
Eu não sei bem se recomendo a leitura. Eu fiquei um tanto decepcionada porque esperava até mesmo outro gênero, mas achei a leitura interessante em diversos aspectos. Porém, além da história sombria e um tanto parada, o final não chega a uma conclusão definitiva (o que é um pouco frustrante). Porém, sem dúvida é um livro com uma proposta bastante diferente.

Classificação:

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

14 comentários

  1. Oi Amanda tudo bem?
    Comprei esse livro em uma promoção da Fnac faz pouco tempo.. ainda não li, mas estou bastante curiosa após a sua resenha. Eu realmente estava esperando um livro mais bobinho, pelo visto não é bem assim. Gosto de personagens complexos e bem construídos!

    www.mixliterario.com

    Xo.xo.xo

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  2. Amanda lindona a sinopse em si não me chamou atenção, seria uma leitura que faria mais para frente quem sabe . Fico feliz que achou pontos positivos assim vale a leitura do llivro. beijos

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  3. Olá.

    Pela sinopse e resenha a leitura não parece ser tão interessante. Também não gostei muito da capa, lembra uma coisa de suspense e pelo que entendi nao tem isso na história.

    bjs

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  4. Oii,

    Nossa eu fiquei meio confusa HAHAHAH. Já tinha visto bastantes resenhas sobre o livro e meio que queria ler, mas acabei deixando de lado. De tudo o que vc falou só me desanimei com a leitura lenta, odeio quando isso acontece. Mas vou tentar ver o que eu acho ;)

    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  5. Olá

    Eu tinha me interessado pelo livro só de ver a capa, mas saber essas coisinhas são importantes. É bom ele ser surpreendente e tudo mais, mas tudo parece muito confuso e essa coisa do velho clichê bad boy + boa moça quase me fez desistir de ainda querer o livro. Não sei mais se quero ler, só sei que a capa continua sendo linda.

    Abraço!
    www.umomt.com

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  6. Oi Amanda, achei a proposta do livro bem interessante e diferente, mas confesso que me desanimei um pouco com a sua resenha. Acho bem interessante o autor mostrar que cada um tem seu lado bom e ruim, mas pelo que você disse ele realmente exagerou.... entretanto, gosto de personagens complexos. Fiquei curiosa com o livro e realmente gostei bastante da sua resenha.

    A capa é simplesmente fantástica, e gostei dos quotes que você destacou.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  7. Oi Amanda,

    Achei interessante saber que o autor traz no livro a dualidade da humanidade bom e ruim, mas confesso que não gosto das tramas que trazem pessoas com essência do mal como Toby. Aí temos Shelby que irritou você e com certeza me irritaria também e um adulto que tem atitudes infantis, ou seja, me parece confuso e de cabeça para baixo (risos), acho que não é um livro que me atrai para investir.

    Beijos
    Tânia Bueno
    www.facesdaleiturataniabueno.blogspot.com.br

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  8. Oi, Amanda. Confesso que não leria o livro por causa da sinopse. Já por ela (e pela capa) achei que o livro não era pra mim. Depois li sua resenha e confirmei. Professor displicente, bad boy, menina certinha, torcer pro casal não ficar junto... não, obrigada. Dispenso! rs
    Mesmo sendo perturbador - e eu gosto de livros assim -, não conseguiu me atrair.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  9. Oi Amanda, tudo bem?
    Eu gostei do início quando você disse que o livro mostra tanto o lado bom quanto o ruim, pois isso é natureza humana pura, um tema que me fascina. Mas depois, no restante da leitura, essa história me pareceu um pouco sombria e pesada até, não gostei muito do enredo, acho que não me sentiria bem ao terminar de ler esse livro.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  10. Oi,
    Eu não li o livro e toda resenha que leio pontua a mesma coisa: um livro diferente de tudo que já foi lido. E eu me pergunto: diferente como, pessoal? Só lendo mesmo para descobrir. Porque não encontro essa resposta nas resenhas.
    Acho fascinante o lado bom e o lado ruim de cada ser humano, uma vez que isso é algo que nos torna humanos. Não gosto muito do clichê menina boa e bad boy não me atrai muito. Adoro livros que perturbam meus pensamentos. hahaha :3

    Abraços
    Adriano
    GeraçãoLeitura.com || http://geracaoleiturapontocom.blogspot.com.br/

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  11. Essa não é a primeira resenha do livro que eu leio, e ambas o avaliaram como mediano. Eu, que já não havia me interessado muito pelo livro, desanimei totalmente em lê-lo.
    Curto muito isso de ninguém é totalmente bom ou ruim, mas parece que a forma como isso é abordada - usando os extremos - não vai me agradar. Não torcer para o casal ficar junto é meio estranho.. mais um indicio hahah
    Passo totalmente.

    Beeeijinhos ;*
    Andressa - Mais que Livros

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  12. Eu já vi esse livro por ai, mas nunca tinha lido algo sobre ele, confesso que fiquei bem interessada, ele parece ser bem diferente do que eu estou acostumada a ler, não tenho costume de ler coisas bizarras e perturbadoras, mas acredito que esse livro deva ser interessante, mesmo tendo seus pontos negativos, só não seu quando o lerei :/

    Beijos :*

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  13. Torcer pro casal não ficar junto é dose... estou com esse livro pra ler aqui, e acho que vou demorar um pouquinho depois de saber disso. Odeio quando torço contra o casal! hehe... Fora que não imaginei que a história fosse sombria, e não curto muito finais inconclusivos... não sei se é livro pra mim.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  14. Oiii,
    Nem a capa, nem a sinopse me deixaram com vontade de ler o livro. E após sua resenha chego a conclusão que não é meu estilo... ando meu cansada desse lance de bad boy e boa moça, meio enjoativo...

    Bjs
    Aline Lima
    Sempre Nerd (http://alinenerd.blogspot.com.br/)

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