23 de janeiro de 2017

RESENHA: Sedução da Seda (As Modistas #1)

Editora: Arqueiro
Autor(a): Loretta Chase
Número de páginas: 304

Sinopse: Talentosa e ambiciosa, a modista Marcelline Noirot é a mais velha das três irmãs proprietárias de um refinado ateliê londrino. E só mesmo seu requinte impecável pode salvar a dama mais malvestida da cidade: lady Clara Fairfax, futura noiva do duque de Clevedon.
Tornar-se a modista de lady Clara significa prestígio instantâneo. Mas, para alcançar esse objetivo, Marcelline primeiro deve convencer o próprio Clevedon, um homem cuja fama de imoralidade é quase tão grande quanto sua fortuna.
O duque se considera um especialista na arte da sedução, mas madame Noirot também tem suas cartas na manga e não hesitará em usá-las. Contudo, o que se inicia como um flerte por interesse pode se tornar uma paixão ardente. E Londres talvez seja pequena demais para conter essas chamas.
Primeiro livro da série As Modistas, Sedução da seda é como um vestido minuciosamente desenhado por Loretta Chase: de cores suaves e românticas em alguns trechos, mas adornado com os detalhes perfeitos para seduzir.
Olá gente lindaaa!
Hoje venho falar de mais um romance do meu gênero favorito (um deles, pelo menos), romance de época. "Sedução da Seda" é o primeiro volume da série "As Modistas".
Eu ainda não conhecia a escrita da Loretta Chase, embora há tempos esteja desejando os primeiros livros dela publicados pela Arqueiro ("O príncipe doa canalhas" e "O último cafajeste"). Enfim, não acho que eu poderia ter conhecido a autora de forma mais agradável.
Diferentemente do usual, nossa protagonista não é uma dama da sociedade, mas uma simples lojista, então temos um esboço do contraste gritante entre burguesia e aristocracia. Adorei!

O livro tem início com as três irmãs - modistas e lojistas - Marcelline, Sophia e Leonie, tendo que tomar medidas drásticas para derrotar a concorrência, carinhosamente (sqñ) apelidada de "Trapos" pelas irmãs.
O duque de Clevendon está fora da Inglaterra há três anos e, por conta de toda a pressão imposta pela sociedade, estender sua ausência está fora de cogitação. É chegada a hora de retornar e pedir Lady Clara Fairfax, sua noiva desde a infância, em casamento.
Marcelline, decidida a vestir a futura duquesa de Clevendon, e tendo ouvido boatos de que o duque logo estará de volta a Londres, embarca para a França onde o duque passa seus últimos dias de solteiro. Seu objetivo: seduzi-lo por meio de arte, o estilo. É claro que Marcelline consegue chamar a atenção do duque, afinal, se tem uma coisa que todo Noirot sabe é ser notado quando deseja, e invisível quando convém. O que Marcelline não esperava era ficar tão atraída por aquele que deveria ser sua "presa".
"Marcelline tinha bastante consciência do tórax largo sob as ricas camadas do lenço, do colete e da camisa. Mas suas mãos não hesitaram ou tremeram. Sua experiência falou mais alto. Anos e anos segurando as cartas com firmeza, enquanto o coração batia forte. Anos de blefes, nunca permitindo que um piscar de olhos, um músculo facial retorcido, fossem capazes de traí-la." (página 22)
O duque fica fascinado pela morena de cachos fartos e roupas tão extravagantes, por isso fica decepcionado quando ela revela suas reais intenções com tanta sedução, que é simplesmente vestir sua futura esposa (e assim ser procurada por todas as damas da sociedade). Clevendon sente-se usado, mas ao mesmo tempo não consegue desvendar a mulher que lhe fala franquezas tão diretamente.
 "Que diferença faria se ele fingisse que nada o surpreendia se tudo nela era uma surpresa? Ela era a mulher menos previsível que conhecera." (página 45)
Além da atração mútua e do possível romance por entre as páginas, o que mais me chamou a atenção foi o fato de a protagonista não ser uma dama da sociedade, e sim uma mera costureira, que geralmente é invisível aos nobres, embora sejam responsáveis pelo modo como se apresentam publicamente.
E mais, Marcelline é mãe de uma garotinha de 6 anos, que é tão manipuladora, charmosa e determinada quanto a mãe. Uma protagonista nada usual nos romances de época, né?! Outro ponto interessante é o mistério envolvendo o passado e as origens de Marcelline. No prólogo temos uma palhinha do que poderia ser essa origem, mas isso só é abordado mais atentamente no final do livro, quando muitas das atitudes (e habilidades) de Marcelline passam a fazer mais sentido.
"A vida sempre encontrava um jeito de atrapalhar seus cuidadosos planos, várias e várias vezes. A roleta era mais previsível que a vida. Não era de se admirar que Marcelline fosse tão boa nesse jogo.
A vida não era uma roda que girava sem parar. Nunca voltava ao mesmo ponto. Não se limitava a um simples vermelho e preto e um leque de números. A vida ria da lógica." (página 59)
Apesar da atração que Marcelline sente pelo duque, em nenhum momento ela deixa de colocar a filha, as irmãs e seu negócio em primeiro lugar. Ela sabe que esse tipo de relação arruinaria a honra do duque de Clevendon e, de quebra, arruinaria sua loja. Acostumada, desde cedo, a cuidar da família, ela sabe o que deve fazer para prosperar: convencer o duque a esquecer a atração que existe entre eles e pedir Lady Clara Fairfax em casamento. Isso chega a ser repetitivo ao longo do livro, mas é possível entender o fato de Marcelline tentar pensar mais com a cabeça e menos com o coração - e corpo.
"- Eu esperava muito mais de você. Você estragou tudo.
- Verdade. O que mais podia fazer? Estava pedindo em casamento a mulher errada." (página 267)
Claro que o duque é tudo aquilo que adoramos e encontramos em romances do gênero, e o modo como ele se declara e não desiste, é super fofo, mas confesso que não encontrei da de especial na personalidade dele. nada que me faça pensar nesse personagem no futuro, me lembrar das características dele e suspirar. 
Sem querer fazer comparações, mas já fazendo, acho os mocinhos de Julia Quinn (RAINHA!) melhor construídos e cativantes, mas gostei, particularmente, da protagonista, que se mostrou uma mulher forte, inteligente e bastante independente, justamente por não ser considerada uma dama (por não ser nobre).
No livro também conhecemos um pouco do casal que protagonizará o livro seguinte (Sophia e conde Longmore), e pelas poucas cenas dos dois juntos, já podemos perceber que a história deles vai ser super divertida. Mal posso esperar!
Livro super recomendado!
Classificação:

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

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