21 de novembro de 2013

RESENHA: Adeus à Inocência

Editora: Novo Conceito
Autor(a): Drusilla Campbell
Número de Páginas: 272

Sinopse: Madora tinha 17 anos quando Willis a “resgatou”. Distante da família e dos amigos, eles fugiram juntos e, por cinco anos, viveram sozinhos, em quase total isolamento, no meio do deserto da Califórnia. Até que ele sequestrou e aprisionou uma adolescente, não muito diferente do que Madora mesmo era, há alguns anos... Então, quando todas as crenças e esperanças de Madora pareciam sem sentido — e o pavor de estar vivendo ao lado de um maníaco começava a fazê-la acordar —, Django, um garoto solitário, que não tinha mais nada a perder depois da morte trágica de seus pais, entrou em sua vida para trazê-la de volta à realidade. Quem sabe, juntos, Django, Madora e seu cachorro Foo consigam vislumbrar alguma cor por trás do vasto deserto que ajudou a apagar suas vidas?
Olá gente lindaaaa!
Quem é vivo sempre aparece, né?!
Se que estou um pouco sumida essa semana e que estou devendo algumas resenhas, mas a vida universitária não está fácil. É tanta coisa para fazer, para entregar e tudo mais que sobra pouco tempo para qualquer outra coisa e peço desculpas por isso.
Bem, hoje venho dividir com vocês minhas impressões sobre um doas lançamentos de outubro (acho) da editora Novo Conceito, o livro "Adeus à Inocência".

A história é narrada em terceira pessoa, variando entre os pontos de vista de Madora, uma jovem de 22 anos e Django, um garoto de 12 anos. Mais para o final do livro temos o desprazer de conhecer também o ponto de vista de Willis.
Após o suicídio do pai, a vida de Madora e sua relação com a mãe nunca mais foi a mesma. A mãe começou a beber e negligenciar a filha. Madora então buscou conforto fora de casa, com a amiga popular, baladas, bebidas e drogas. Quando a mãe resolveu se importar já era tarde para mudar alguma coisa.  
“Madora Welles tinha 12 anos quando aprendeu que algumas garotas têm sorte na vida, e outras nem tanto. No dia em que seu pai foi a pé para o deserto, ela aprendeu que a sorte pode esgotar-se num único dia.” (página 9)
Foi em uma dessas baladas regadas à álcool e drogas que Madora conhece Willis. Seu salvador. Willis a encontrou em mais um momento em que o torpor das drogas distorcia os pensamentos de Madora e, ao vê-lo de pé a sua frente, Madora teve a sensação de estar diante de um anjo. E é isso o que Willis representa para ela até hoje, cinco anos após tirar Madora do mundo nebuloso das drogas e do lar desestruturado. Em um momento difícil Willis lhe estendeu a mão e prometeu nunca deixar que nada de ruim acontecesse à ela.
Madora é o tipo que, embora nunca pode defender a si mesma (e nem teve muitas oportunidades para isso), é protetora, principalmente em relação aos animais que periodicamente aparecem nas  redondezas, um deles é Foo, um pit-bull que lhe faz companhia. Ela mora com Willis em uma casinha isolada em uma região seca  da Califórnia. Madora nunca questionou a bondade, honestidade ou qualquer coisa relacionada a Willis, mas quando ele aparece com uma garota grávida e a "instala" no trailer que eles têm no quintal, Madora começa a pensar em como sua história com Willis começou, porém o pensamento de que Willis está apenas ajudando a garota, que ele é uma alma boa e blablablá ainda é forte.
Ao longo do livro vamos notando que, parte de Madora é ingenuidade, outra é medo de se libertar da imagem de felicidade e 'família' que Willis criou para ela. Após cinco anos vivendo com ele e quase que totalmente sem contato com outras pessoas (vejam bem, ela mora no deserto!), Madora criou uma dependência desse homem que diz tê-la salvado de caminhos errados. Sabe aquela sensação de solidão, de isolamento? Bem, some a isto um cenário desértico. Temos o clima predominante deste livro.
“Eles raramente discordavam, Madora se certificava de que isso ocorresse. Disputas entre os dois davam vida a demônios que a assustavam, pois, embora seu pai tivesse morrido anos antes, ela ainda se lembrava das discussões entre ele e sua mãe e da sombra que seus silêncios carregados lançavam na vida deles.” (página 82)

Django é filho de um famoso astro do Rock, mas acaba de perder os pais em um acidente de carro. Seu meio-irmão não pode ser seu tutor, pois a mãe exigiu em testamento que sua irmã cuidasse dele. à contragosto Django sai de Beverly Hills e se muda para a Califórnia, ou meçhor, o deserto da Califórnia. É onde conhece Madora, a jovem que mora afastada de todas, esposa daquele cara de olhar sinistro (e bela aparência) e dona do cachorro que ele quer comprar.
Embora Django seja rejeitado por Madora, ele sabe que no fundo ela deseja sua presença e por isso ele persiste e passa a visitá-la todos os dias. Alguma coisa nela faz com que Django sinta vontade de ajudá-la. Ele quase consegue esquecer os próprios problemas, a própria dor quando enxerga nos olhos de Madora uma tristeza que ela própria parece não perceber.
“Quanto mais conhecia Madora, mais sentia que havia nela solidão e tristeza que correspondiam aos mesmo sentimentos que havia nele e que, quando conseguisse  encontrar uma maneira de confrontá-la, isso o faria sentir-se melhor também.” (página 149)
****
A autora conseguiu abordar o sequestro, o cárcere privado e tantos outros assuntos densos de uma maneira leve, se é que isso é possível. A descrição, às vezes detalhada, do ambiente fez toda a diferença e conferiu à trama um elemento essencial: o 'ar' de realidade. O modo como acompanhamos a situação de Madora e o modo como ela vive, faz com que sintamos o que a personagem provavelmente sente. Sentimos o isolamento, a solidão e com o passar das páginas podemos até notar o véu que ela carrega sobre os olhos em relação a tudo o que diz respeito à Willis. Em diversos momentos eu não quis acreditar na ingenuidade de Madora diante das manipulações explicações de Willis para as coisas, mas quando eu me colocava no lugar dela, levado em conta os traumas familiares que ela carrega, eu quase pude compreender o apego e dependência dela em relação ao companheiro. Quase.
Apesar da aparente submissão de Madora, eu simpatizei muito com a personagem e torci para que ela abrisse os olhos e desse no pé, mas quem roubou a cena foi Django, um garoto que apesar da pouca idade, foi quem mais mostrou maturidade nas situações difíceis. A autora explicitou bem a inteligência e talvez até certa malícia (no sentido de conseguir notar algo que ninguém mais vê) à vida luxuosa que ele teve e, consequentemente, a ignorância de Madora à condição de total isolamentos em que viveu. E claro que isso faz muito sentido.
Recomendo muito a leitura. Um livro fininho, daqueles que se lê em uma sentada só (a não ser que você, assim como eu, tenha um zilhão de coisas para entregar na faculdade :b)

Classificação:  

***
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!!

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