10 de janeiro de 2012

RESENHA: A Vida em Tons de Cinza

Editora: Arqueiro (Cortesia)
Autor(a): Ruta Sepetys
Número de Páginas: 240

Sinopse: 1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos. A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias.  

Olá gente linda!!
Tenho que dizer que este livro foi uma surpresa. Foi uma história que me comoveu e com certeza mexeu muito comigo. Apesar de ser uma "ficção" com personagens fictícios, a autora garante que boa parte dos fatos descritos ao longo do livro são relatos reais. Isso torna tudo ainda mais comovente.

Você já imaginou estar no conforto e na segurança de sua casa, com sua família e... de um segundo para o outro ter sua casa invadida e ser levado de lá com sua família como se fossem criminosos? Já ser obrigado a deixar tudo para trás e nem ao menos ter uma segunda opção?
Bem, foi o que aconteceu com Lina (de apenas 15 anos), sua família e mais milhões de pessoas em 1941 quando a União Soviética estava sob o comando de Stalin, em seu reinado de terror.
"Ele jogou o cigarro aceso no piso limpo de nossa sala e o esmagou com a ponta da bota.

Estávamos prestes a ter o mesmo destino que aquele cigarro."
Em 1940, os soviéticos tinham começado a enviar soldados para dentro das fronteiras da Lituânia, da Letônia e da Estônia (países bálticos), pois um ano antes, Stalin e Hitler tinham assinado um pacto de "não-agressão" e Stalin ficou com os países bálticos, que foram anexados à União Soviética e posteriormente desapareceram do mapa.
Pela pouca idade. Lina e seu irmão Jonas de apenas 10 anos, não entenderam muito bem o que estava acontecendo e, foram levados (com mais milhares de centenas de pessoas) e jogados em vagões de term imundos. Mulheres, crianças, idosos e enfermos de um lado, homens de outro. Todos faziam parte de uma "Lista". Uma lista de pessoas consideradas "anti-soviéticas", como professores, militares, advogados... entre outros. E para o azar de Lina e sua família, seu pai era professor de uma universidade.
"Bati a porta e olhei meu rosto no espelho. Não fazia a menor ideia de quão rapidamente ele iria mudar, perder o viço. Se fizesse, teria encarado meu reflexo para guardá-lo na memória. Era a última vez que eu iria olhar num espelho de verdade por mais de uma década."
Lina não fazia ideia do que a aguardava e, a cada instante, nutria a esperança de voltar para casa. Queria reencontrar o pai. E por isso, resolver desenhar. Com certeza o pai reconheceria seus desenhos e a encontraria. Lina escrevia sobre o que estava passando e desenhava cada cena de desgraça e sofrimento que vivenciava e relatava. Mas nada podia ser enviado. Se os homens da NKVD encontrassem algum de seus papéis, seria seu fim.
Mas Lina tinha esperança. O que mais poderia ter? Só lhe restava esperança.  
"O padre ergueu os olhos, aspergiu óleo e fez o sinal da cruz enquanto nosso trem se afastava.

Estava nos dando a extrema-unção."
Em meio a tanto sofrimento, a tanta humilhação, a tanto trabalho em troca de um misero pedaço de pão seco -  exatamente 300 gramas de pão seco por um dia inteiro de trabalho forçado - Lina vai conhecer diversos sentimentos, dentre eles a solidariedade, compaixxão e... o amor. Sim, o amor. Por incrível que parece e por mais estranha e improvável que possa ser a situação, em meio ao sofrimento Lina encontrará o amor. Em Andrius, um jovem que estava na mesma situação que ela própria.
"Nós rimos. As pessoas sorriam. Eu quase não a reconhecia. Olhei para Andrius. Seu rosto estava iluminado por um sorriso que modificava completamente sua aparência. Ficava bonito quando sorria."
Essa história é muito mais que uma história de sofrimento ou de amor. É uma história de esperança, de sobrevivência. É incrível até que ponto um ser humano pode suporta  algo pelo simples fato de ter esperança.
*****
Bem, como eu disse, fiquei muito comovida com a história. A descrição de cada situação, cada humilhação, cada sofrimento vivido pelas personagens.... e saber que tudo aconteceu. Isso é de mexer com qualquer um. No book trailer, a autora Ruta Sepetys diz que deseja que o leitor do seu livro se pergunte se aguentaria tanto sofrimento, se sobreviveria. Bem, não sei se eu seria capaz se suportar. Sobreviver a tudo isso deve ser difícil... morre é mais fácil, mais rápido. Imaginem só o que se passa na cabeça de alguém que é arrancado da própria casa, tratado como um criminoso, como um lixo e no final das contas trabalhar para essas mesmas pessoas a troco de nada. Imaginem também, viver sob condições subhumanas, sem o mínimo de higiene o condição alguma de sobrevivência.... Você sobreviveria?
Eu RECOMENDO muito esse livro. Não será uma leitura agradável... não será fácil.
A cada página você sentirá pontadas no coração, impotência e indignação em saber que o homem é capaz de fazer coisas desumanas com seu semelhante.

Assista o Book trailer

Classificação:
****
Espero que gostem!!

Beijos e amassos!

3 comentários

  1. Ain que resenha linda.
    Eu concordo com tudo que você disse.
    A leitura é realmente impressionante mas a maioria dos momentos - ou todos - não são nada agradáveis. Mas me fez refletir bastante.

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  2. Ameeei a sua resenha esse livro parece ser tão interessante! (:
    http://pensamentosdeumageminiana.blogspot.com/
    Mil Beijos!

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  3. Quero tanto esse livro! Ganhei um livro da Arqueiro, e eles me mandaram o marcador dele junto. Achei interessante e fui procurar informações no skoob. Nossa, fiquei impressionada! É o meu tipo de livro ideal! E a sua resenha só me fez confirmar isso :)
    Beijos!

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