15 de julho de 2022

RESENHA: Verity

Editora: Galera Record
Autor(a): Colleen Hoover
Número de páginas: 320
Sinopse: O  amor é capaz de superar a pior das verdades?
Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas atividades, deixando-a sem condições de concluir a história... E é nessa complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da já consolidada série.
Para que consiga entender melhor o processo criativo de Verity com relação aos livros publicados e, ainda, tentar descobrir seus possíveis planos para os próximos, Lowen decide passar alguns dias na casa dos Crawford, imersa no caótico escritório de Verity – e, lá, encontra uma espécie de autobiografia onde a escritora narra os fatos acontecidos desde o dia em que conhece Jeremy, seu marido, até os instantes imediatamente anteriores a seu acidente – incluindo sua perspectiva sobre as tragédias ocorridas às filhas do casal.
Quanto mais o tempo passa, mais Lowen se percebe envolvida em uma confusa rede de mentiras e segredos, e, lentamente, adquire sua própria posição no jogo psicológico que rodeia aquela casa. Emocional e fisicamente atraída por Jeremy, ela precisa decidir: expor uma versão que nem ele conhece sobre a própria esposa ou manter o sigilo dos escritos de Verity? 

Olá gente lindaaaa!
Que delícia começar esta resenha e que delícia sentir essa empolgação de novo. Desde muito tempo eu não tenho sido a melhor das leitoras (vida adulta, sabem como é...), mas ontem à noite finalizei a leitura de um livro que me fez lembrar os velhos tempos, quando eu devorava livros e trazia resenha toda semana aqui no blog.
Comprei "Verity", de Colleen Hoover, na Bienal, por indicação de uma amiga. Eu não li a sinopse, não sabia qual era o gênero do livro. Nada. Confiei na indicação e me senti intrigada quando ela disse que esse livro me tiraria dessa ressaca permanente em que me encontro desde meados de 2015. E funcionou. Cá estou após ler um livro em três dias (só ontem li 240 páginas, pasmem!). Que satisfação! Mas vamos ao que interessa, a resenha de Varity, que se inicia com a seguinte frase:
"Ouço o barulho do crânio se quebrando antes mesmo de o sangue respingar em mim." 
Essa frase dá início ao livro e ao primeiro dia de Lowen Ashleigh fora de casa desde a morte da mãe, há algumas semanas. Lowen é uma escritora de suspense que prefere ficar longe dos holofotes e de qualquer contato com leitores, eventos literários, etc., e passou os últimos meses cuidando da mãe doente, tornando-se ainda mais reclusa. No entanto, não conseguiu evitar a reunião sobre a qual seu agente lhe falou, por meio de uma mensagem, no dia anterior. E o dia começa bem: Lowen presencia o atropelamento de um homem.
Minutos depois, mal tendo tempo de digerir o ocorrido, Lowen se vê diante de uma proposta irrecusável e, ainda assim, apavorante: finalizar uma uma série best seller, escrita por Verity Crawford, que ficou impossibilitada após sofrer um acidente. Sua tranquilidade longe dos holofotes está ameaçado, mas todo o resto também está: Lowen gastou seus últimos recursos cuidando da mãe, seu aluguel está atrasado e ela está prestes a ser despejada. Como recusar tal proposta?
A fim de pesquisar e procurar possíveis anotações de Verity sobre os próximos volumes da série, para, então, dar início ao processo de escrita dos três livros contratados pela editora, Lowen vai à casa dos Crawford. Seu objetivo é passar alguns dias desbravando o escritório de Verity em busca de qualquer coisa que possa ajudá-la a ter uma noção do que a autora pretendia para o final da série. Em vez disso, no entanto, encontra algo muito mais perturbador do que esboços sobre uma série de livros escrita do ponto de vista do vilão, marca registrada de Verity: uma autobiografia escrita pela autora. Uma autobiografia brutal, perturbadora e extremamente viciante. 
"As palavras precisam vir do fundo das vísceras, abrindo espaço entre a carne e os ossos. Feias, sinceras, sangrentas, talvez até um pouco assustadoras, mas completamente expostas. Uma autobiografia que tem a intenção de fazer o leitor gostar do autor não é uma autobiografia de verdade." (página 64)
Dividida entre sua pesquisa, a autobiografia perturbadora de Verity, a atração que sente por Jeremy Crawford, marido da escritora e a tensão que parece pairar na casa do casal, Lowen se vê cada vez mergulhada em uma intimidade que não é sua. Quase sem conseguir identificar o que é real ou não.
"É impossível olhar para alguém do jeito que ele me olhava - com todo o peso do passado - sem imaginar o futuro." (página 74)
Interessante dizer que iniciei a leitura com algumas perguntas e finalizei com tantas outras. A princípio, fiquei curiosa pelo fato de o livro ter o nome de Verity e ela não ser, de fato, a protagonista. Mas, pensando bem, acredito ela É protagonista deste livro. É ela quem controla a narrativa, seja por meio de sua autobiografia ou não. E, vale ressaltar, o modo como a narrativa intercala a autobiografia de Verity com a realidade, te impede de interromper a leitura.
No início, eu tinha certeza em relação ao vilão e às vítimas e com relação ao que é realidade e o que não é. Esse foi o objetivo da autora, desde o início, criar situações que guiam o leitor... Mas terminei o livro sem nenhuma dessas certezas. A narrativa foi de romance a uma vibe Paola Bracho pós-acidente (Rá Rá!), e depois as coisas foram ficando ainda mais estranhas. E eu cada vez mais presa na leitura (Glória a Deuxxx!).
Quanto a Lowen, ela não me convenceu, admito. Suas reações e decisões foram todas tão diferentes do que eu faria que, muitas vezes, fiquei irritada. Ela não é consistente, não é coerente e não tem profundidade, passando de "eu preciso ir embora" para "resolvi ficar mais uns dias" de um parágrafo para outro. Em vários momentos não a achei confiável, talvez por o conta da falta de profundidade da personagem. Seu passado não é tão explorado, de modo que o desenvolvimento fica meio vago. Fiquei esperando o momento em que ela iria acordar e tudo não teria passado de um sonho, resultado de seu sonambulismo.
"A pessoa mais indefesa da casa é a que me dá mais medo. Não faz sentido." (página 103)
O plot twist (ou não) do final foi tão absurdo, mas, ao mesmo tempo (pensando, agora que parei para analisar tudo o que eu li) ideal. Deixou muitas perguntas na cabeça do leitor sobre qual é a verdadeira história, quem é o verdadeiro vilão e quem é a vítima da história. Eu ainda não sei responder a nenhuma dessas perguntas. O aprendizado que tiro desse livro é que uma boa escrita tem muito poder! 
"Tenho certeza de que deve ser coisa da minha cabeça, mas isso também não me tranquiliza. O que espreita a mente pode ser tão perigoso quanto as ameaças da vida real." (página 148)

Classificação: 

Espero que gostem!!

Beijos e amassos!

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